MINI MUDANÇAS EM ALGUMAS MARCAS

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Dentre as muitas e mais variadas evoluções de marcas que eu tenho acompanhado, um elemento primordial tem me chamado a atenção em todas elas, a amplitude da mudança.

 

Lembro quando estava procurando pela primeira vez onde comprar iphone barato e confiável e de cara no Google, achei o anúncio da empresa Apple e com uma bela imagem e logo no site. Sim, isso me ajudou a convencer e fechar a compra pela marca e logo do site.

 

A marca pode sim fazer toda diferença de um negócio.

Pequenas marcas, porém notáveis?

Aqui, vou me restringir aos aspectos visual e técnico, sem levar em consideração variáveis estratégicas ou logísticas, para assim mantermos o foco nas formas, que é o nosso tema principal.

 

Marcas são vivas, se o tempo passa para nós, passa também para elas. Se os códigos cromáticos se renovam a cada período, se renovam também para elas. Se novas tipografias e formas surgem a cada dia e deixam outras obsoletas, elas também afetam uma marca, e muito.

 

 

Mudar uma marca requer muito mais do que apenas criatividade para oferecer ao cliente uma releitura digna do código visual do seu logotipo, requer tato para mensurar o quanto mudar, e se é realmente necessário. Muitas vezes esta mudança é tão sutil que passa completamente despercebida aos olhos.

 

As pessoas simplesmente nem a percebem. Existe um viés interessante a ser percebido neste caso, que é a manutenção completa do DNA das marcas, ou seja, a partir de pequenas intervenções, corrigindo ângulos, ajustando espaçamentos, refinando tipos e reestudando nuances de cor, consegue-se uma mudança inteligente, não-traumática, leve e com baixíssimo ou nenhum índice de rejeição.

 

Os chamados “facelifts” de marca, obviamente não são indicados para todas as situações, são sempre utilizados em casos claros de marcas com estratégias de marketing bem sucedidas e símbolos já absorvidos pelo público, geralmente com uma forte relação emocional estabelecida entre eles.

 

Abaixo, tratarei um pouco sobre as fases que compõem estas “mini mudanças” de marca e suas peculiaridades.

O diagnóstico

Como saber se devo realizar uma “mini mudança” na minha marca, ou partir para uma recriação total?

 

Normalmente funciona assim: Se todas as suas metas comerciais estão sendo batidas, sua marca reflete exatamente a essência da sua empresa ou produto, e por característica nata, a inovação nunca foi parte decisiva do DNA da sua empresa, já temos bons indícios de qual caminho seguir, mini mudança nela, oras.

 

Tudo está dando certo, o perfil do seu negócio não parece requerer grandes diferenciais de imagem, e comercialmente está tudo OK, portanto não precisa criar nenhum fato novo para despertar novos públicos, então o caso aqui é o de simplesmente manter o trem nos trilhos aumentando a sua velocidade gradativamente, ou seja, uma simples manutenção.

 

Olhar o que está sendo feito no mercado e ajustar-se a ele sem grandes alardes, e também sem ficar sentado sobre a sua marca, aguardando o concorrente passar-lhe a perna.

A amplitude

A faixa etária é um fator preponderante (mas não único) para definirmos a amplitude da mudança de uma marca. Quanto mais jovem o público, mais facilmente uma grande mudança é absorvida.

 

Velhos não costumam reagir muito bem a novos conceitos, sejam eles quais forem, e isso agrava-se ainda mais nos estéticos. Mudar drasticamente uma marca voltada para esse público, requer o alinhamento de muitas variáveis, e muitas vezes, não compensa correr esse risco.

 

Marcas jovens são multifacetadas, vivazes e até camaleônicas, pois precisam cotidianamente “dizer algo” ao seu público, e esse “dizer algo” contempla grandes mudanças de forma, tipos e às vezes conceituais para atender aos anseios deste público irrequieto.

A essência

Toda mudança precisa de uma essência, ora estética, ora estratégica, ora conceitual, mas precisa de uma essência. Nas “mini mudanças” essa essência tende a ser mais calcada em aspectos técnicos e emocionais. No caso da Pfizer, percebe-se claramente a relação direta com seu mais famoso produto, na cor e na forma, o degradê e o tom mais claro vieram apenas dar um toque de dinamismo à “nova” marca.

 

Na Qantas, aliviou-se o contraste preto x vermelho, com isso ganhou-se em suavidade sem perder absolutamente nada da sua antiga identidade, e isso foi bem legal. A grande sacada destas mini mudanças é “sem abrir mão” da essência da marca, e também sem nenhum tipo de impacto visual que possa afastar fiéis consumidores, obter um resultado diverso, rico, e claro pelo menos um pouco perceptível.

O discurso

Sempre disse que gostaria de ser uma mosquinha, para estar na sala de reunião onde uma destas marcas foi apresentada (principalmente a da Philips), para ouvir o discurso de apresentação do criador ao cliente perante a criatura. Gostaria de ouvir os argumentos que sustentaram a criação e convenceram as empresas a pagarem o que pagaram pelo trabalho que receberam.

 

Não me cabe julgar a amplitude de cada mudança, pois não disponho de informações detalhadas a respeito das necessidades estratégicas de cada marca, mas em algumas, a mudança foi tão mini, mas tão mini, que quase não existiu, e cobrar por isso é uma ciência que desejo muito dominar, se possível amplamente.

O resultado

Em todas estas marcas houve melhora, umas mais do que outras, mas sempre evoluíram. Acho rica uma empresa que permanece atenta a estas necessidades de revitalização mesmo obtendo ótimos resultados no seu dia-a-dia.

 

Normalmente não é a regra, a regra é movimentar-se quase sempre após o seu principal concorrente e no afã de superá-lo, misturar alhos com bugalhos e mudar demais algo que não deveria ser mudado. Pelo menos não tanto.

 

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Jornal A Tribuna

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