Como o Rappi quer ser um banco digital e se consolidar como ‘superapp’

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O ano de 2021 começou com o lançamento do RappiBank, a tentativa do Rappi Delivery de se tornar um super app ao criar um banco digital e se consolidar como uma opção para vários estágios da vida dos seus usuários. Na prática, a startup colombiana investe em diferentes segmentos e tem como estratégia ser realmente “um pouco de tudo”, por assim dizer.

Um exemplo que comprova isso é que, além das entregas normais de restaurantes, supermercados e farmácias, o Rappi ainda lançou recentemente o Rappi Travel (que permite comparar o preço de passagens aéreas e comprá-las em 12 vezes sem juros) e o Rappi Mall, que revoluciona o setor de e-commerce ao criar um marketplace com lojas de shopping e entregar o produto em 1 hora na casa do cliente.

Agora, o RappiBank é o novo passo da empresa para se tornar um super app imprescindível no celular de todos os brasileiros e dos moradores de outros países da América Latina, onde o aplicativo tem sua área de atuação.

Em poucas palavras, o RappiBank é a solução de banco digital do Rappi para entrar em um mercado que vive, atualmente, uma grande disputa interna. As fintechs desenvolveram diversos produtos de contas digitais para os seus clientes, com as principais delas sendo o Nubank, o Neon e a Creditas. Juntas, todas as empresas do setor no Brasil levantaram cerca de US$ 939 milhões em aportes de investidores-anjo somente nos primeiros 3 trimestres de 2020. O setor financeiro em briga atraiu outras empresas, como o Rappi, mas também a Loft, que já lançou produtos similares.

O RappiBank inicia as suas atividades em 2021 com 3 produtos diferentes para os consumidores. São eles:

  • crédito para capital de giro para empresas de pequeno porte;
  • antecipação de recebíveis para pessoas jurídicas;
  • cartão de crédito para pessoas físicas.

O crédito para capital de giro é um tipo de empréstimo de baixo risco direcionado para empresas de pequeno porte, já que grandes negócios tendem a não ter problemas com o seu capital de giro (pelo menos não a ponto de precisar de um empréstimo).

Para as pequenas empresas, esse tipo de recurso tende a ser útil, pois são negócios mais vulneráveis a mudanças do mercado. Por exemplo, um cliente que atrasa o pagamento da empresa e ela já fica mais complicada na hora de honrar seus compromissos, por exemplo.

Esse crédito já está disponível para as pessoas jurídicas. Basta acessar o Rappi e procurar pela opção do Bank e começar a negociar as condições oferecidas pelo app.

A antecipação de recebíveis é um recurso que pode ser muito útil para pequenas empresas. Na prática, o crédito funciona assim:

  • a empresa comprova que tem um valor a receber de um cliente, como por exemplo um crediário feito para o consumidor;
  • no entanto, esse valor será pago no futuro;
  • a empresa abre mão de uma determinada taxa desse montante para receber o valor agora, mas pago pelo RappiBank. Ou seja: o banco antecipa o montante que a empresa deveria receber (menos uma pequena taxa de remuneração);
  • quando o consumidor finalmente pagar o que deve, o dinheiro vai todo para o banco, pagando o empréstimo.

O objetivo desse tipo de crédito é dar à pequena empresa as ferramentas básicas para investir agora. Afinal, em muitos casos, o dinheiro no futuro não tem utilidade para o negócio, que precisa do montante agora.

Por fim, o cartão de crédito do Rappi é uma novidade interessante. Em teoria, o Rappi já tinha um cartão de crédito pré-pago feito em parceria com a Visa. No entanto, o produto agora é um cartão real mesmo, como os tradicionais do mercado.

No geral, parece haver a certeza de que essas ações não são apenas focadas em um público “normal”, mas majoritariamente pensadas para o ecossistema principal do Rappi, que é o setor de entregas.

Na prática, esses tipos de créditos para pequenas empresas são majoritariamente úteis para restaurantes, especialmente em um momento de pandemia. De certa forma, o Rappi se torna um app que consegue nutrir restaurantes com produtos financeiros ao mesmo tempo que nutre o consumidor com um cartão de crédito. Isso faz com que ambos os lados estejam sempre fazendo negócios, o que é justamente o que a plataforma precisa.

É claro que tudo isso funciona muito bem em teoria, mas a prática pode não ser tão óbvia assim. Afinal de contas, entrar no segmento de produtos financeiros não é fácil e a concorrência é pesada.

O Rappi Bank precisará de uma estratégia de marketing complexa e agressiva para parecer vantajoso aos empreendedores e consumidores. De acordo com os executivos da empresa, a ideia é fazer uma “embedded fintech”. Isso significa que o Rappi não trabalhará como um banco no sentido tradicional, criando um braço financeiro para lucrar como faz o Itaú. Na verdade, a ideia é que a parte financeira funcione como um potencializador do negócio central do app.

E aí, o que você achou da novidade? Comente abaixo!

 

 

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