O que é homologação de sentença estrangeira
A homologação de sentença estrangeira se trata de um procedimento, de cunho judicial, cujo objetivo é dar executoriedade interna, mas também externa, a qualquer sentença proferida em outra nação (país).
Em nosso país , a competência para homologar sentença estrangeira é do Superior Tribunal de Justiça, cuja previsão está no Código de Processo Civil.
Com base no exposto no artigo 105, I, i, da Constituição Federal, e com as alterações da Emenda Constitucional de n° 45, de 2004, essa competência é do STJ.
E na Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, em seu artigo 15, vemos alguns dos requisitos necessários para a homologação de sentença estrangeira, tais como:
- Que a sentença tenha sido proferida por um juiz competente
- As partes devem ter sido citadas ou verificada a revelia
- Sentença transitada em julgado e revestida das formalidades precisas para ser executada onde foi proferida
- Ter sido traduzida por tradutor juramentado
- Ter sido homologada pelo Superior Tribunal de Justiça
- Algumas teorias explicam quais os argumentos pelos quais as sentenças precisam passar para serem homologadas.
Teorias da homologação de sentença estrangeira
A primeira teoria é o sistema da revisão do mérito da sentença, que dispõe sobre a necessidade de julgar de novo uma causa que inspirou a “sentença”, o que enseja em novas produções de provas.
Dessa forma, será preciso reanalisar as preexistentes, apenas depois que a decisão estrangeira pode ou não ser ratificada.
Apesar de esse método parecer mais complexo e moroso, torna o direito estrangeiro justo, perante a jurisdição interna do país que homologou.
Isso cria jurisprudências para resolver as demandas futuras dos Estados.
Já o sistema parcial de revisão do mérito impõe que a aplicação da lei do país onde será executada a sentença deve ser analisada.
Nesse sistema, o objetivo é verificar se existe a possibilidade de aplicar a lei embasadora da sentença no Estado, se vai produzir efeitos.
Temos também o sistema de reciprocidade diplomática, em que os tratados são a base para decisões.
E, por fim, o último sistema é o de reciprocidade de fato, onde a homologação só será possível se os estados protegerem institutos semelhantes.
Um exemplo disso é o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que é permitido na Holanda.
Mas, caso essa demanda seja julgada para um país em que não seja permitido, seria necessário rever o instituto jurídico.
Processo da deliberação
Nesse sistema, o mérito da sentença não é aferido, ou seja, só são examinadas as formalidades da sentença perante os princípios fundamentais de um processo justo.
Dentre esses princípios, podemos citar o respeito ao contraditório, a ampla defesa, o respeito aos direitos fundamentais humanos e a legalidade de qualquer processos.
Esse é um processo que possui como objetivo a verificação da eficácia de um ato judicial estrangeiro.
Qualquer provimento que tenha natureza estrangeira só poderá ser eficaz no Brasil depois da sua devida homologação pelo STJ.
O direito estrangeiro pode ser aplicado no Brasil de forma direta ou indireta.
Aplicação direta
Na aplicação direta, o processo é o da lex fori, isto é, as regras processuais de nossa lei nacional.
No que se refere às provas, os tribunais brasileiros só aceitam provas que possua previsão legal.
Dessa forma, o processo seguirá a tramitação sob o juiz do foro, e a primeira atribuição do juiz é identificar qual o elemento de conexão.
Após o conhecimento desse elemento, será possível saber qual será a lei aplicada no caso, se a estrangeira ou a nacional.
Caso seja a lei estrangeira, o próximo passo é a qualificação.
A instituição estrangeira deverá ser distinguida, e, se houver identidade com outro instituto nacional, o juiz fará a investigação do conflito.
Logo, será preciso interpretar o que está, ou não, dentro dos requisitos exigidos pelo direito pátrio.
Se estiver em conflito com a ordem pública, a lei estrangeira não poderá ser adaptada.
Aplicação indireta
Na aplicação indireta, a sentença será proferida pelo juiz estrangeiro.
A execução, por sua vez, será no país homologador, isto é, os efeitos serão produzidos no Estado que homologador.
Apenas depois que a sentença for homologada pelo país, por meio do seu órgão competente (que no Brasil, é o STJ), essa poderá ser executada.
Documentos estrangeiros
Apesar de existir a possibilidade de homologação de sentença estrangeira, os efeitos podem ou não ser produzidos, precisam passar pelo órgão competente no direito interno do país em que se destina o efeito.
Isso significa dizer que o ato de jurisdição externa deve ser realizado mediante carta rogatória, a fim de produzir efeitos no Brasil.
O Brasil possui o sistema de deliberação moderada, com inspiração no modelo italiano.
Então, além de verificar os requisitos formais, tem o exame principal, que é aquele que visa a ordem pública.
A fim de verificar essa ofensa, a análise será da adequado do ato estrangeiro.
Atualmente, o presidente do STJ possui o encargo de homologar as sentenças estrangeiras, de forma a conceder as cartas rogatórias.
No entanto, caso haja contestação, o processo deverá ser remetido ao julgamento da Corte Especial do STJ, com a devida distribuição a algum dos ministros.
Sentenças passíveis de homologação
Mesmo que a lei aborde essa sentença, a interpretação hoje é superada, tendo em vista a homologação.
Dessa maneira, decretos de reis, acórdão, sentença (de natureza comercial, trabalhista, cível etc.) e muitos outros exemplos são passíveis de homologação.
Para homologar uma sentença estrangeira, o procedimento segue o Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
Portanto, deve-se abrir um requerimento de homologação pelo advogado, que vai endereçar a petição ao Ministro Presidente do STJ.
Depois disso, o pedido deve ser protocolado na Coordenadoria de Processos Originários.
Se no processo não tiver nenhum contestação, e com todas as peças processuais, a duração média desse processo é de 2 meses.
O provimento final terá como natureza decisória, o que pode ou não homologar a sentença estrangeira.
Caso seja homologada, o advogado precisa proceder a execução, onde ocorrerá a extração da Carta de Sentença.
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